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Wanda Engel afirma: “Pobreza e desigualdade. Dá para superar”. 

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Hoje, Dia Internacional da Mulher, eu trago o exemplo de uma mulher admirável, Wanda Engel, qualidade que lhe deu Ricardo Paes e Barros. Ele buscou o conceito de admirável no cineasta Rupert Gould: “Uma pessoa é realmente admirável quando ela torna o mundo seu devedor; quando faz algo para o mundo que o mundo precisava e, que ninguém fez antes ou sabia como fazer. A Wanda Engel é uma dessas pessoas”.  Apoiado! 

Conheci a Wanda sem muita proximidade pessoal, mas apropriei-me da história dela ao ler “Pobreza e desigualdade”. Dá para superar”, publicado pela Livros Ilimitados. Vejam vocês essas duas passagens: 

“O Centro Cultural Comunitário de São Cristóvão (CCCSC), conhecido como Brizolão da Mangueira, foi inaugurado em 12 de outubro de 1983, Dia da Criança, com grande festa. Em seu discurso, o governador Leonel Brizola ressaltou: “Meninos da Mangueira, este Centro pertence a vocês!” No dia seguinte o espaço havia sido “esvaziado” de tudo que pudesse ser carregado pelos meninos. Afinal, foi dito que era deles!” Wanda registra que no Centro estavam “salas-ambientes, bem equipadas, onde não faltava material pedagógico de primeira linha, incluindo microscópios, herbários, instrumentos musicais e esportivos”. 

“Duas características chamavam a atenção nesse projeto arquitetônico (CIEP). A primeira era a primazia do concreto, não deixando lugar para que se incluísse um pouco de verde no ambiente. A segunda, talvez a mais polêmica, era a proposta de meias paredes entre as salas. Além de facilitar a circulação do ar, Niemeyer dizia que a intenção era que as crianças aprendessem a falar mais baixo e de forma mais educada. Esta proposta gerou centenas de pedidos de licença médica de professores, por conta de calos nas cordas vocais”.  

O livro é magnífico e, enquanto conta a história de vida de uma mulher admirável, passeia pela política, em especial, pela política carioca, porque Wanda é daqui. Nasceu no Méier. Nos primeiros capítulos ela fala das dificuldades dela na infância e adolescência e de modo magistral, enquanto conta suas histórias, cria políticas públicas que ela tem aplicado ao longo da vida com base em algo concreto: a própria vida de uma menina adolescente muito pobre, que, em determinado momento da vida viu-se, com a família, despejada da casa onde morava.  

Compareci  ao evento de lançamento do livro na Livraria da Travessa em Ipanema. Agarrei o meu exemplar com a dedicatória gentil da autora, coloquei-o na estante e voltei a ele a cada instante que o tempo permitiu. Encerrei a leitura no final de semana, com várias anotações e uma convicção: dá mesmo para superar a pobreza e desigualdade crônicas que há na sociedade brasileira e que travam, pela repercussão na violência, o desenvolvimento, principalmente, o do Rio de Janeiro. É tudo uma questão de fazer e ter disposição para enfrentar uma cultura ruim presente tanto nos pobres, como na classe média e entre os ricos. 

É um livro e tanto! 

Estão presentes nele, Fernando Henrique Cardoso, dona Ruth, José Serra, vários governadores, André Urani, que partiu cedo e faz uma falta danada por aqui; gente com nome e gente anônima. Paulo Freire é citado em uma aula magna, onde ele identificou um terceiro componente para o binômio, sonho e dinâmica da realidade: “uma certa dose de loucura”. Os projetos criados e trabalhados por Wanda Engel estão ali, com análises técnicas, avaliação de resultado e demonstração dos entraves e vitórias. 

César Maia é citado com carinho em especial por causa do primeiro tempo dele no governo ( de fato, memorável!). Luiz Paulo Conde também, assim como a disputa que houve entre os dois pelo mesmo poder. Sobre isso, diz Wanda Engel: “A equipe parecia um time harmonioso e duradouro. Tudo levava a crer que a grande orquestra (formada por César Maia) permaneceria afinada por muito tempo. Ledo engano! Dali a dois anos, César Maia se candidatou a governador do Rio e perdeu. No pleito seguinte, para a eleição de prefeito, voltou a se candidatar, desta vez competindo com o próprio Conde, que já tinha condições legais para pleitear a reeleição. O grupo se dividiu. César Maia acabou vencendo com base em muitos acordos políticos, perdendo grande parte da autonomia de que desfrutava no primeiro mandato.” E, evidente, com prejuízos para a população carioca, como toda gente percebeu. 

Wanda fala sobre crianças, adolescentes, jovens e idosos, fala sobre “Gestão do Conhecimento”, quando trata da evasão escolar, um problemão até hoje, que nem a reforma do Ensino Médio – isso digo eu – ainda não plenamente implantada – conseguiu resolver. A violência e o crime que a descontinuidade de políticas públicas bem formuladas faz crescer no Brasil todo e sacrifica o Rio de Janeiro também estão na pauta do livro.  

Encerro este artigo sobre o livro sem vontade de encerrar, porque eu gostaria de compartilhar toda a obra. Mas, não posso encerrar sem trazer uma passagem que pode falar mais de perto com as eleições que estão por vir: 

“A consciência do poder do território é essencial para entendermos a importância das políticas públicas municipais. Em educação, o município é responsável pela educação fundamental e pela Educação Infantil, ou seja, pela base da formação das novas gerações; em saúde, pelo atendimento básico e, em assistência, pela rede de proteção social, destinada a diminuir a pobreza e a desigualdade. Está também nas mãos dos municípios o saneamento básico; a promoção da cultura, do esporte e do turismo; a política habitacional e urbanística; além do incremento do mercado de trabalho. Sempre que se aproximam as eleições municipais, a pergunta de um milhão de dólares deveria ser: Nas mãos de qual prefeito e de que vereadores vamos depositar toda esta responsabilidade???”

Parabéns às mulheres pelo dia! 

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